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Intel reduz em 40% o custo de fabricação do processo 18A e avança na produção de chips

Melhora no rendimento das fábricas fortalece a estratégia da empresa, mas prejuízo bilionário na divisão de semicondutores e limitações de fornecimento ainda preocupam.

A Intel conseguiu reduzir em aproximadamente 40% os custos de fabricação associados ao seu processo tecnológico 18A desde o primeiro trimestre de 2026. A informação foi divulgada pelo diretor financeiro da companhia, David Zinsner, durante a apresentação dos resultados do terceiro trimestre. No mesmo período, os custos relacionados ao processo Intel 3 caíram cerca de 15%, indicando avanços na eficiência das linhas de produção.

Os números representam um passo importante para a fabricante, que tenta tornar sua operação de semicondutores mais competitiva e recuperar espaço no mercado. Segundo a transcrição da apresentação de resultados, a redução está relacionada à melhoria do rendimento das fábricas, ao tempo necessário para concluir os ciclos de produção e à maior utilização da capacidade industrial.

Apesar dos avanços, a Intel ainda precisa demonstrar que essas melhorias serão suficientes para tornar sua divisão de fabricação sustentável e lucrativa. No terceiro trimestre, a Intel Foundry registrou um prejuízo operacional de aproximadamente US$ 1,85 bilhão, embora o resultado tenha sido melhor que a perda de US$ 2,32 bilhões registrada no mesmo período de 2025.

Processo 18A ganha espaço no portfólio da Intel

Um dos indicadores mais relevantes apresentados pela companhia foi o crescimento da participação dos processadores fabricados com a tecnologia 18A na receita de CPUs para computadores pessoais. No primeiro trimestre, esses produtos representavam menos de 5% dessa receita. No terceiro trimestre, a participação chegou a quase um terço.

A Intel também informou que o rendimento do processo 18A melhorou em dois dígitos durante o terceiro trimestre. Na fabricação de semicondutores, o rendimento, conhecido como yield, corresponde à proporção de chips funcionais obtidos a partir dos wafers processados.

Quanto maior esse índice, menor tende a ser o custo por chip aproveitável, já que uma parcela maior dos componentes produzidos pode ser comercializada. A redução de defeitos e o aprimoramento do fluxo de fabricação ajudam, portanto, a explicar a queda de custos anunciada pela empresa.

A evolução é importante porque o processo 18A representa uma das principais apostas da Intel para seus próprios processadores e para a expansão de sua capacidade de fabricação avançada.

Wildcat Lake tem demanda superior à oferta

A família Wildcat Lake, voltada a processadores de menor custo, também apresentou resultados positivos. Segundo a Intel, o volume de unidades enviadas aumentou aproximadamente 70% em relação ao trimestre anterior, e a capacidade de fornecimento disponível já estava totalmente comprometida.

O desempenho indica que existe procura por chips que priorizem eficiência de custos em um mercado pressionado pelo encarecimento de componentes e pela redução dos orçamentos destinados à compra de computadores.

A situação, no entanto, revela um problema adicional: melhorar a eficiência de fabricação não significa necessariamente conseguir produzir unidades suficientes para atender a todos os pedidos.

A Intel afirmou que está reorganizando parte da capacidade industrial de Oregon, nos Estados Unidos, transferindo recursos do processo 18A para o Intel 3. A mudança busca atender à demanda por processadores para servidores, incluindo produtos da linha Xeon.

A decisão mostra que a empresa precisa equilibrar duas frentes: ampliar a oferta de processadores para PCs e aproveitar o crescimento da procura por CPUs destinadas a data centers e infraestrutura de inteligência artificial.

Chips para servidores ganham prioridade

O segmento de data centers tornou-se um dos principais motores de crescimento da Intel. No terceiro trimestre de 2026, a divisão Data Center and AI registrou receita de aproximadamente US$ 7,3 bilhões, alta de 78% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo os resultados oficiais da companhia.

Entre os produtos mais importantes está o Clearwater Forest, primeiro processador para servidores da Intel produzido com o processo 18A. O CEO Lip-Bu Tan afirmou que o produto já está sendo enviado a clientes e gerando receita.

A empresa também prepara o Diamond Rapids, previsto para utilizar o processo Intel 18A-P e avançar para a produção em 2027. A Intel espera atender à demanda crescente por capacidade de processamento em aplicações de inteligência artificial, inferência e infraestrutura de servidores.

Entretanto, a expansão enfrenta obstáculos que vão além da fabricação dos próprios chips. A companhia citou a escassez de substratos orgânicos avançados utilizados no encapsulamento de semicondutores, uma etapa necessária para transformar os componentes produzidos nos wafers em produtos finais.

Em outras palavras, mesmo quando os chips saem das fábricas com bons índices de rendimento, a falta de materiais para as etapas seguintes pode limitar o volume efetivamente entregue aos clientes.

Nova Lake deve estrear o Intel 18A-P em desktops

No mercado de computadores pessoais, a próxima aposta de destaque é o Nova Lake, previsto para utilizar o processo Intel 18A-P. Segundo Lip-Bu Tan, o desenvolvimento está adiantado em relação ao cronograma interno.

A Intel também projeta conquistar, no lançamento, o dobro de design wins obtidos com o Panther Lake. O termo se refere a projetos de produtos nos quais fabricantes ou parceiros escolhem determinada plataforma para integrar seus equipamentos.

Essa expectativa não equivale a uma garantia de vendas duas vezes maiores. A quantidade de projetos adotados depende de fatores como disponibilidade, preço, desempenho e decisões comerciais dos fabricantes de computadores.

A empresa atribui ao Intel 18A-P ganhos potenciais de aproximadamente 9% no desempenho mantendo o mesmo consumo de energia, ou uma redução de cerca de 18% no consumo para um nível equivalente de desempenho. Esses números devem ser entendidos como estimativas de melhoria divulgadas pela Intel, e não como resultados independentes já comprovados para todos os produtos.

Mercado de PCs continua sendo um ponto de atenção

Mesmo com o avanço tecnológico, a perspectiva para computadores pessoais permanece desfavorável. A Intel alertou que a fraqueza do mercado pode continuar durante o primeiro semestre de 2027, em um cenário marcado por restrições na disponibilidade de memória e aumento dos custos dos equipamentos.

Esse contexto pode dificultar a recuperação das vendas de processadores para consumidores e empresas, mesmo que os novos produtos ofereçam melhorias de eficiência e desempenho.

Os resultados financeiros também mostram que a recuperação industrial ainda está em andamento. A Intel registrou receita total de US$ 16,5 bilhões no terceiro trimestre, alta de 21% na comparação anual, mas sua divisão de fabricação continuou operando no vermelho.

A redução de custos do 18A é, portanto, um sinal concreto de progresso operacional, mas não representa, isoladamente, uma recuperação completa da Intel Foundry.

O próximo desafio será transformar os ganhos de rendimento em maior volume de produção, atender à demanda sem ampliar os gargalos de fornecimento e demonstrar que a tecnologia consegue gerar resultados financeiros sustentáveis. É essa combinação, mais do que os percentuais anunciados, que determinará o sucesso da estratégia de fabricação da Intel nos próximos anos.

Fontes: Resultados financeiros oficiais da Intel para o terceiro trimestre de 2026; transcrição da apresentação de resultados; análise da TrendForce sobre os custos dos processos 18A e Intel 3.

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