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SK Hynix prevê escassez de memória RAM até 2030 e registra lucro operacional recorde com explosão da demanda por IA

Fabricante sul-coreana superou pela primeira vez a marca de 100 trilhões de wons em receita trimestral. Procura por DDR5, HBM4 e memórias para servidores pressiona a capacidade global de produção.

A expansão acelerada da inteligência artificial está provocando uma transformação profunda no mercado mundial de semicondutores. A SK Hynix, uma das maiores fabricantes de chips de memória do planeta, apresentou resultados financeiros históricos no terceiro trimestre de 2026 e fez um alerta importante para o setor: a demanda por memórias deverá continuar superando a capacidade de produção até pelo menos 2030.

O comunicado divulgado em 28 de outubro mostra a dimensão desse crescimento. A companhia sul-coreana registrou receita de 104,6155 trilhões de wons, aproximadamente US$ 74 bilhões, e lucro operacional de 83,3338 trilhões de wons, cerca de US$ 59 bilhões, considerando uma conversão cambial aproximada.

Foi a primeira vez que a empresa ultrapassou a marca de 100 trilhões de wons em receita durante um único trimestre.

Os números representam aumentos de 32% na receita e 38% no lucro operacional em comparação com o segundo trimestre de 2026. Na comparação anual, o desempenho foi ainda mais expressivo: a receita avançou aproximadamente 328%, enquanto o lucro operacional cresceu 632%.

Inteligência artificial está consumindo a capacidade de produção de memória

O principal motor desse crescimento é a infraestrutura necessária para operar sistemas de inteligência artificial generativa.

Grandes empresas de tecnologia estão investindo bilhões de dólares em data centers equipados com aceleradores especializados, servidores de alto desempenho e redes de comunicação capazes de processar volumes gigantescos de informações.

Esses equipamentos exigem quantidades cada vez maiores de memória, especialmente DDR5 para servidores e HBM (High Bandwidth Memory), tecnologia desenvolvida para fornecer grandes volumes de dados aos processadores gráficos e aceleradores de IA.

A SK Hynix informou que o crescimento das vendas de memórias DDR5 para servidores foi um dos principais responsáveis pelo desempenho do trimestre. A companhia também começou a ampliar os embarques de sua nova geração HBM4, enquanto os produtos NAND destinados a SSDs corporativos de alta capacidade continuam ganhando espaço.

A tendência é que essa demanda ultrapasse o mercado tradicional de data centers. A empresa também espera crescimento impulsionado pela adoção de inteligência artificial em computadores pessoais, aplicações corporativas, veículos autônomos e robótica.

Escassez de memória poderá continuar até 2030

O alerta mais importante apresentado pela fabricante diz respeito à capacidade mundial de produção.

Segundo a SK Hynix, a expansão da infraestrutura de inteligência artificial está acontecendo em um ritmo superior ao crescimento da oferta de semicondutores. A construção de novas fábricas e a ampliação das linhas de produção não conseguem acompanhar imediatamente o aumento dos pedidos.

A companhia acredita que essa situação deverá persistir até 2030, período em que a demanda global por memórias poderá continuar acima da capacidade de fornecimento da indústria.

O problema não é simplesmente fabricar mais chips. A produção de semicondutores avançados exige equipamentos extremamente sofisticados, instalações especializadas, processos industriais complexos e investimentos que podem levar anos para gerar capacidade produtiva efetiva.

Além disso, a fabricação de memórias HBM exige etapas adicionais de empilhamento e encapsulamento avançado, aumentando a complexidade industrial.

A situação já levou fabricantes e grandes clientes a estabelecerem acordos de fornecimento de longo prazo.

A própria SK Hynix informou que assinou contratos com 14 grandes clientes, incluindo provedores globais de serviços em nuvem. Esses acordos já cobrem mais de 50% da capacidade produtiva prevista para 2027 e 2028.

HBM4 deve ganhar protagonismo no mercado

Outro elemento importante para entender o cenário é a chegada da HBM4.

A nova geração de memória de alta largura de banda foi desenvolvida para atender às necessidades dos aceleradores de inteligência artificial mais avançados.

Diferentemente das memórias DDR5 convencionais, que são utilizadas principalmente como memória principal dos servidores, a HBM é posicionada muito próxima dos processadores, permitindo transferências de dados com largura de banda significativamente maior.

A SK Hynix espera que a HBM4 ultrapasse a geração anterior HBM3E em volume de remessas e receita já no quarto trimestre de 2026.

Para atender à demanda, a companhia pretende acelerar a expansão de sua fábrica M15X, na Coreia do Sul, levando sua capacidade produtiva ao máximo até o final do ano.

A empresa também está ampliando sua capacidade de fabricação de DRAM com tecnologias de processo mais avançadas, incluindo a sexta geração de sua classe de 10 nanômetros, conhecida como 1c.

Fabricantes de computadores e consumidores podem sentir os efeitos

A pressão sobre a oferta de memória não afeta apenas os grandes centros de processamento de dados.

Fabricantes de computadores, notebooks, smartphones e outros dispositivos eletrônicos dependem de componentes produzidos por um grupo relativamente pequeno de fornecedores globais.

Quando a demanda por memória cresce rapidamente, os fabricantes precisam disputar capacidade produtiva, o que pode provocar reajustes nos preços dos componentes e alterar os custos de fabricação dos produtos eletrônicos.

No mercado de computadores, por exemplo, módulos DDR5 podem ficar mais caros caso a oferta disponível para o segmento de consumo seja reduzida ou os fabricantes priorizem contratos corporativos mais rentáveis.

Entretanto, isso não significa que todos os produtos eletrônicos necessariamente enfrentarão falta de memória. Os impactos dependerão do tipo de componente, dos contratos de fornecimento, dos estoques e da capacidade de expansão de cada fabricante.

Samsung e Micron, outras duas integrantes do grupo das maiores fabricantes mundiais de memória, também desempenham papel fundamental no equilíbrio entre oferta e demanda.

Investimentos bilionários não devem resolver o problema imediatamente

A SK Hynix pretende acelerar seus investimentos em capacidade produtiva, incluindo projetos na Coreia do Sul e nos Estados Unidos.

A expansão, porém, não produzirá resultados instantâneos. Uma fábrica de semicondutores exige planejamento, construção, instalação de equipamentos, qualificação dos processos e aumento gradual da produção.

A empresa também pretende ampliar a fabricação de memórias NAND de 321 camadas, utilizadas em SSDs corporativos, e desenvolver tecnologias complementares para atender às necessidades dos sistemas de inteligência artificial.

Esse cenário ajuda a explicar por que a companhia considera possível que a escassez continue mesmo com investimentos crescentes.

Lucro recorde não significa crescimento sem riscos

Apesar dos números históricos, os resultados também apresentam um detalhe importante: o lucro líquido da SK Hynix foi de 39,7756 trilhões de wons, uma queda de aproximadamente 58% em relação ao trimestre anterior, quando havia registrado 93,9226 trilhões de wons.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, entretanto, o lucro líquido cresceu aproximadamente 216%.

A diferença mostra que receita, lucro operacional e lucro líquido podem apresentar comportamentos distintos, especialmente diante de efeitos financeiros, tributários e extraordinários.

A fabricante também anunciou um programa de retorno aos acionistas de aproximadamente 100 trilhões de wons em 2026, incluindo dividendos e recompra de ações.

O desempenho financeiro reforça a importância estratégica que os chips de memória adquiriram na indústria tecnológica. Antes considerados componentes relativamente comuns, DRAM e NAND passaram a ocupar uma posição central na expansão da inteligência artificial.

Se as previsões da SK Hynix se confirmarem, a indústria de computadores e dispositivos eletrônicos poderá conviver com custos elevados de memória durante vários anos. Para os consumidores, isso pode significar computadores mais caros, atualizações de hardware adiadas e maior pressão sobre os preços de notebooks e smartphones.

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