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    Arm registra receita recorde de US$ 1,44 bilhão, mas lucro líquido cai 45%

    Kayobrussy GuedesPor Kayobrussy Guedes6 de novembro de 2026Nenhum comentário7 Mins de leitura
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    Empresa britânica impulsionada pela demanda por inteligência artificial amplia negócios com licenciamento de chips e data centers. Companhia também prepara entrada mais agressiva no mercado de processadores completos, aumentando a concorrência com Intel e AMD.

    A Arm registrou receita recorde de US$ 1,443 bilhão no segundo trimestre fiscal de 2027, encerrado em 30 de setembro. O resultado, divulgado em 4 de novembro, representa um crescimento de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior e supera as expectativas de Wall Street, que projetavam aproximadamente US$ 1,38 bilhão.

    Controlada pelo grupo japonês SoftBank, a empresa britânica alcançou seu quinto trimestre consecutivo com crescimento anual de receita superior a 20%. O desempenho foi impulsionado principalmente pelos contratos de licenciamento de propriedade intelectual, além da expansão da arquitetura Arm no mercado de servidores e infraestrutura de inteligência artificial.

    Apesar do faturamento recorde, os números também revelam alguns desafios. O lucro líquido calculado pelas regras contábeis GAAP caiu 45%, passando de US$ 238 milhões para US$ 130 milhões.

    Licenciamento cresce 50%, enquanto royalties avançam menos

    A principal contribuição para o crescimento veio dos contratos de licenciamento, que permitem que outras empresas utilizem as tecnologias e os projetos de processadores desenvolvidos pela Arm.

    Essa categoria movimentou US$ 773 milhões no trimestre, uma expansão de 50% em comparação com o mesmo período de 2025.

    Já a receita com royalties chegou a US$ 670 milhões, crescimento mais moderado, de 8%. Esse indicador representa os pagamentos recebidos pela Arm conforme seus parceiros comercializam chips que incorporam sua tecnologia.

    O resultado ficou abaixo das expectativas dos analistas, que estimavam aproximadamente US$ 720,8 milhões em royalties.

    Segundo o relatório financeiro da própria Arm, o crescimento dessa receita foi favorecido pela maior participação de produtos com royalties mais elevados, como os baseados na arquitetura Armv9 e na tecnologia Compute Subsystems (CSS). A expansão dos processadores utilizados em data centers também contribuiu positivamente.

    Por outro lado, o impacto dos preços da memória no mercado de smartphones reduziu parte desse avanço.

    A diferença entre os dois indicadores merece atenção: contratos de licenciamento representam receita obtida durante o desenvolvimento e a autorização de uso da tecnologia, enquanto os royalties acompanham a produção e a comercialização dos chips. Portanto, o crescimento do licenciamento pode antecipar oportunidades de receitas futuras, mas não garante automaticamente que elas se concretizem.

    Data centers se tornam uma importante fonte de crescimento

    Um dos destaques do trimestre foi o desempenho da Arm no mercado de infraestrutura para computação em nuvem.

    A companhia informou que sua receita de royalties proveniente de data centers dobrou em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

    A arquitetura Arm vem conquistando espaço entre grandes empresas de tecnologia que preferem desenvolver seus próprios processadores, em vez de depender exclusivamente das soluções tradicionais da Intel e da AMD.

    Entre os principais exemplos estão:

    • Amazon: amplia a utilização dos processadores Graviton em sua infraestrutura de nuvem.
    • Google: desenvolve e utiliza os processadores Axion, baseados na arquitetura Arm.
    • Microsoft: expande sua família de processadores Cobalt para serviços de nuvem.
    • NVIDIA: utiliza a arquitetura Arm em sua plataforma de processadores Vera, desenvolvida para infraestrutura de inteligência artificial.

    De acordo com os números apresentados pela Arm, sua arquitetura já representava mais de 50% das implantações de processadores nos principais provedores hyperscale em 2025. Em 2024, essa participação era de aproximadamente 15%.

    A empresa espera superar 60% até o encerramento de 2026.

    É importante destacar que esses percentuais se referem às implantações nos grandes provedores de nuvem considerados pela companhia, e não representam a participação da Arm em todo o mercado mundial de servidores.

    A eficiência energética é um dos principais argumentos para essa expansão. Com data centers consumindo quantidades cada vez maiores de eletricidade, processadores capazes de entregar mais desempenho por watt se tornam particularmente interessantes para operadores de infraestrutura.

    Arm quer deixar de vender apenas projetos e fabricar seus próprios processadores

    Outra mudança importante na estratégia da companhia é o programa Arm AGI CPU.

    Historicamente, a Arm concentrou seus negócios no desenvolvimento e licenciamento de arquiteturas e projetos de processadores. Empresas como Qualcomm, Apple, Amazon e outras licenciadas utilizam essas tecnologias para desenvolver seus próprios chips.

    Agora, a companhia pretende avançar também na comercialização de processadores completos.

    O AGI CPU representa essa mudança de posicionamento: em vez de receber apenas pelo licenciamento de propriedade intelectual, a Arm passa a oferecer diretamente seus próprios produtos de silício.

    Segundo o CEO Rene Haas, a empresa já conseguiu pedidos de compra de diversos clientes, com compromissos que se estendem até 2027.

    As primeiras entregas comerciais continuam previstas para o quarto trimestre do ano fiscal de 2027, que termina em março de 2027.

    A Arm mantém sua projeção de alcançar até US$ 2 bilhões em receita com o AGI CPU somando os anos fiscais de 2027 e 2028.

    A Oracle também anunciou planos de oferecer instâncias de computação baseadas nesses processadores em sua plataforma Oracle Cloud Infrastructure durante 2027.

    A mudança pode representar uma oportunidade significativa, mas também cria uma nova relação competitiva com empresas que tradicionalmente utilizam os projetos licenciados pela Arm para desenvolver seus próprios processadores.

    Além disso, comercializar chips completos envolve custos de fabricação, fornecimento e operação que não existem da mesma maneira no tradicional negócio de licenciamento.

    Margens elevadas, mas despesas aumentam

    A estrutura financeira da Arm ainda demonstra a vantagem de seu modelo tradicional.

    A margem bruta GAAP ficou em 97,1% no trimestre, ligeiramente abaixo dos 97,4% registrados um ano antes.

    Essa margem excepcionalmente elevada está relacionada à natureza de seu negócio de propriedade intelectual, que permite licenciar tecnologias sem assumir diretamente todos os custos de fabricação dos chips comercializados por seus parceiros.

    Entretanto, a expansão das atividades de desenvolvimento e a entrada no mercado de processadores completos exigem investimentos adicionais.

    As despesas com pesquisa e desenvolvimento cresceram 24%, chegando a US$ 857 milhões. Já as despesas operacionais totais avançaram 27%, para US$ 1,2 bilhão.

    O resultado operacional GAAP aumentou 23%, alcançando US$ 201 milhões.

    O lucro líquido, entretanto, recuou de US$ 238 milhões para US$ 130 milhões, enquanto o lucro diluído por ação caiu de US$ 0,22 para US$ 0,12.

    Quando considerados os ajustes não GAAP, que excluem determinados itens contábeis, o cenário é mais favorável: o lucro líquido ajustado subiu 36%, para US$ 566 milhões, e o lucro por ação passou de US$ 0,39 para US$ 0,52.

    A diferença mostra por que é importante observar os dois conjuntos de indicadores. Embora os números ajustados indiquem crescimento operacional, eles não substituem o resultado contábil oficial.

    Mais de 10 bilhões de chips Arm enviados em um trimestre

    A escala do ecossistema da empresa também continua aumentando.

    Pela primeira vez, os parceiros da Arm informaram o envio de mais de 10 bilhões de chips baseados em sua arquitetura em um único trimestre. O volume representa aproximadamente 1,5 bilhão de unidades a mais do que no mesmo período do ano anterior.

    A companhia também afirma que os computadores pessoais equipados com processadores Arm já representam aproximadamente 20% dos embarques mundiais de PCs.

    Esse avanço amplia a presença da arquitetura para além dos smartphones e dispositivos móveis, mercados nos quais a Arm já possui uma posição consolidada.

    Projeção para o próximo trimestre

    Para o terceiro trimestre fiscal de 2027, a Arm espera alcançar aproximadamente US$ 1,54 bilhão em receita, com lucro ajustado de US$ 0,56 por ação.

    A previsão de despesas operacionais não GAAP é de aproximadamente US$ 825 milhões, refletindo a continuidade dos investimentos em desenvolvimento de processadores e expansão de suas atividades comerciais.

    O resultado indica que a Arm pretende aproveitar o crescimento da inteligência artificial para ampliar sua atuação em diferentes segmentos da indústria de semicondutores.

    Mais do que uma empresa que licencia projetos de processadores, a companhia está tentando se posicionar como fornecedora direta de soluções completas para data centers e infraestrutura de IA.

    O desafio será transformar a demanda atual em receitas recorrentes, sem comprometer as margens elevadas que fizeram do licenciamento um negócio tão lucrativo. Se conseguir executar essa estratégia, a Arm poderá ampliar significativamente sua influência no mercado de processadores, historicamente dominado pela Intel, AMD e, mais recentemente, por soluções desenvolvidas pelas próprias gigantes da computação em nuvem.


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