Receita da fabricante cresceu 45% em um ano, impulsionada por processadores EPYC e aceleradores Instinct. Enquanto isso, divisão de games recuou 40%, e empresa prevê um 2027 difícil para o mercado de computadores.
A AMD está cada vez mais dependente do mercado de inteligência artificial. Os resultados financeiros divulgados nesta terça-feira (3) mostram que a empresa alcançou uma receita recorde de US$ 13,4 bilhões no terceiro trimestre de 2026, um crescimento de 45% em comparação com o mesmo período do ano passado.
O grande responsável por esse desempenho foi o segmento de data centers, que reúne os processadores para servidores EPYC e os aceleradores de inteligência artificial Instinct. Juntos, esses negócios movimentaram aproximadamente US$ 8,55 bilhões, uma alta expressiva de 97% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Na prática, quase 64% de todo o faturamento da AMD já vem dessa divisão. O resultado mostra como a companhia está aproveitando a expansão da infraestrutura de inteligência artificial, em um mercado no qual grandes empresas de tecnologia disputam capacidade computacional para treinar e executar modelos cada vez maiores.
A CEO da AMD, Lisa Su, classificou o período como o maior e mais lucrativo da história da companhia. A executiva também demonstrou confiança no futuro, antecipando que a receita total poderá crescer mais de 80% em 2027.
Data centers devem representar mais de 80% da receita
A mudança na composição dos negócios da AMD pode ser ainda mais significativa nos próximos anos.
Durante a apresentação dos resultados, a diretora financeira Jean Hu afirmou que a expectativa da empresa é que os data centers representem mais de 80% da receita total em 2027.
A projeção está relacionada à demanda crescente por processadores EPYC e aceleradores Instinct, utilizados em servidores e sistemas de inteligência artificial. A AMD também está ampliando sua atuação com soluções completas para infraestrutura, como a plataforma Helios.
Segundo Lisa Su, a companhia espera aproximadamente dobrar a receita de processadores para servidores em 2027. Já o negócio de aceleradores de inteligência artificial deverá crescer ainda mais rapidamente, com expansão superior a duas vezes.
A expectativa é que esse movimento continue fortalecendo a posição da AMD diante da concorrência no mercado de chips para IA.
Para o quarto trimestre de 2026, a empresa projeta faturamento de aproximadamente US$ 17 bilhões, com margem de variação de 3%. Se a previsão se confirmar, será mais um recorde para a fabricante.
Mercado de games sente os efeitos da desaceleração
Enquanto os negócios voltados à inteligência artificial avançam, a divisão de games apresenta um cenário bem diferente.
A receita desse segmento caiu 40% na comparação anual, chegando a US$ 773 milhões. O resultado foi prejudicado principalmente pela redução nas vendas de chips semipersonalizados utilizados em consoles e pela menor demanda por placas de vídeo.
É importante lembrar que a AMD fornece componentes para o PlayStation 5 e o Xbox Series X|S, além de equipar diversos computadores portáteis voltados aos jogos.
A divisão de games também inclui as placas de vídeo Radeon, que enfrentam um ambiente mais complicado em razão do aumento dos custos de componentes.
O segmento combinado de Client e Gaming registrou receita de US$ 3,72 bilhões, queda de 8% em um ano. Dentro dele, a divisão Client, responsável pelos processadores Ryzen para computadores, apresentou crescimento de 7%, alcançando US$ 2,95 bilhões.
O avanço foi impulsionado principalmente pela procura por processadores Ryzen para notebooks e computadores compactos. Mesmo assim, o resultado positivo não foi suficiente para compensar a queda no mercado de games.
Memória mais cara pode prejudicar o mercado de computadores
Um dos pontos mais preocupantes para a indústria de PCs é o aumento dos custos de memória e de outros componentes.
Lisa Su explicou que os preços mais elevados acabam afetando diretamente o valor final dos computadores. Como os consumidores são mais sensíveis a aumentos de preço, a empresa já percebe uma desaceleração nas vendas de equipamentos.
A situação também está relacionada à forte procura por infraestrutura de inteligência artificial, que exige grandes quantidades de memória de alto desempenho, especialmente as memórias HBM utilizadas em aceleradores.
A escassez de componentes não é uma preocupação exclusiva da AMD. A indústria de semicondutores vem alertando para dificuldades de abastecimento, especialmente no mercado de memórias, em meio à expansão dos investimentos em infraestrutura de IA.
Durante a apresentação dos resultados, Su afirmou que a AMD está trabalhando com seus fornecedores para garantir o abastecimento necessário, mas reconheceu que a demanda continua superior à oferta disponível.
AMD já se prepara para um 2027 difícil para os PCs
A perspectiva para o próximo ano também não é animadora para o mercado de computadores pessoais.
A AMD está trabalhando com uma previsão de queda de dois dígitos percentuais para o mercado global de PCs em 2027. Isso significa que a companhia espera uma retração superior a 10% nas vendas do setor.
Apesar desse cenário, a empresa acredita que poderá apresentar resultados melhores do que o próprio mercado, apoiada em sua próxima geração de processadores Ryzen, na expansão da linha comercial e na procura por equipamentos de maior desempenho.
A expectativa também envolve a chegada de novos processadores baseados na arquitetura Zen 6, prevista para 2027, embora detalhes sobre disponibilidade e produtos específicos ainda dependam dos anúncios oficiais.
Outro segmento que apresenta desempenho positivo é o das placas Radeon AI PRO, desenvolvidas para estações de trabalho e aplicações profissionais de inteligência artificial.
AMD está se transformando em uma empresa de infraestrutura de IA
Os resultados do terceiro trimestre deixam clara uma mudança estratégica importante.
Durante muitos anos, a AMD foi conhecida principalmente por seus processadores Ryzen e pelas placas de vídeo Radeon. Hoje, entretanto, boa parte de seu crescimento está concentrada em servidores, aceleradores de IA e infraestrutura para grandes centros de processamento de dados.
Essa transformação representa uma oportunidade importante para a companhia, mas também traz novos desafios.
Quanto maior a participação dos data centers no faturamento, maior será a dependência da AMD dos investimentos das grandes empresas de tecnologia em inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, o encarecimento de componentes e a possível retração do mercado de PCs podem pressionar os negócios tradicionais da fabricante.
O desafio será equilibrar essas duas frentes: aproveitar a expansão bilionária da inteligência artificial sem perder espaço no mercado de processadores e placas de vídeo para consumidores.
