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    Segurança

    Falha de Wi-Fi antiga pode permitir invasão de milhões de roteadores sem senha

    Kayobrussy GuedesPor Kayobrussy Guedes27 de outubro de 2026Nenhum comentário5 Mins de leitura
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    Vulnerabilidade no software da Broadcom permite executar código remotamente por meio de sinais Wi-Fi; correção anunciada em 2018 não chegou a diversos dispositivos

    Uma vulnerabilidade antiga no software Wi-Fi da Broadcom pode deixar milhões de roteadores domésticos e equipamentos de rede expostos a ataques sem que seja necessário conhecer a senha da rede. Batizada de WPSplinter, a falha remonta a pelo menos 2010 e permite que um invasor dentro do alcance do sinal de rádio explore o dispositivo e, em determinadas condições, obtenha controle sobre ele.

    O problema foi apresentado pelo pesquisador de segurança Quentin Kaiser durante o evento Hexacon. Segundo sua documentação técnica, a vulnerabilidade está no componente legado WPS Monitor, responsável por processar mensagens do Wi-Fi Protected Setup (WPS), recurso que facilita a conexão de dispositivos à rede sem fio.

    A falha ocorre quando o software recebe mensagens fragmentadas e as reúne na memória sem verificar corretamente se os dados resultantes cabem no espaço reservado. Essa deficiência pode provocar corrupção de memória e abrir caminho para a execução de código no roteador.

    Ataque não exige senha nem conclusão do pareamento

    Diferentemente dos ataques tradicionais contra o WPS, que exploravam tentativas de descobrir o PIN de conexão, o WPSplinter atinge diretamente a implementação de software da Broadcom. De acordo com o pesquisador, a exploração pode acontecer antes da conclusão de qualquer processo de pareamento.

    Na prática, um invasor próximo ao equipamento não precisaria conhecer a senha do Wi-Fi, pressionar o botão WPS ou concluir uma autenticação para iniciar o ataque. Dependendo do modelo e da configuração do dispositivo, a exploração pode permitir a leitura de informações da memória e a execução de comandos com privilégios elevados.

    Kaiser demonstrou o problema em dois equipamentos utilizados por operadoras na Bélgica. Em um gateway Askey TCG3000 fornecido pela Orange Belgium, o pesquisador conseguiu extrair a senha da rede sem fio armazenada no dispositivo. Já em um Sagemcom BBOX3V+, utilizado pela Proximus, ele demonstrou a obtenção de um shell remoto por meio de quadros Wi-Fi.

    Os testes indicam que o impacto pode ir além do acesso à rede sem fio. Caso consiga assumir o controle do roteador, um invasor poderá comprometer outras configurações do equipamento e potencialmente usá-lo como ponto de entrada para novos ataques. O alcance efetivo e a viabilidade da exploração, porém, dependem do equipamento e das condições específicas.

    Broadcom afirma que a correção começou em 2018

    O pesquisador comunicou a vulnerabilidade à Broadcom em julho de 2026. Segundo o relato de Kaiser sobre a comunicação com a empresa, a fabricante informou que uma correção já estava disponível e que vinha substituindo o antigo WPS Monitor pelo hostapd, uma implementação de software de código aberto utilizada em sistemas Wi-Fi.

    O problema é que a disponibilização de uma correção pela fabricante do chip não significa que ela tenha sido incorporada a todos os roteadores afetados. A atualização depende também dos fabricantes dos equipamentos e, em muitos casos, das operadoras responsáveis pelo fornecimento e pela manutenção do firmware.

    Kaiser afirma que a correção aplicada ao código antigo foi incompleta e que a substituição do componente vulnerável é a abordagem mais efetiva. A Broadcom, por sua vez, considera o software legado obsoleto e, segundo o pesquisador, não solicitou a atribuição de um identificador CVE para a falha.

    Até o momento descrito no relato original, a empresa não havia publicado um comunicado público detalhado sobre a vulnerabilidade. Assim, parte das informações sobre sua posição e sobre as medidas adotadas vem do relato da comunicação entre o pesquisador e a fabricante.

    Alguns roteadores podem nunca receber uma correção

    A situação é especialmente preocupante em equipamentos antigos que utilizam sistemas baseados no eCos, incluindo plataformas Broadcom BCM3380, BCM3383 e BCM33834. Segundo Kaiser, esses dispositivos não contam com um caminho de migração para a nova implementação, o que pode impedir uma correção definitiva.

    Outras famílias de hardware, como BCM3390, BCM63xx, BCM65xx e BCM68xx, utilizam plataformas baseadas em Linux e podem receber uma solução. Ainda assim, a atualização depende do trabalho de adaptação realizado por cada fabricante, inclusive em produtos antigos que já não recebem suporte regular.

    Isso cria um cenário em que equipamentos ainda em uso podem permanecer vulneráveis mesmo anos depois de a fabricante do chip ter começado a substituir o componente problemático. O risco não se limita a residências: roteadores e gateways também são utilizados em escritórios, hotéis e outros ambientes comerciais.

    Trocar a senha do Wi-Fi não resolve o problema

    Como a exploração acontece antes da autenticação, alterar a senha da rede sem fio não elimina a vulnerabilidade. Desativar o WPS nas configurações também pode não ser suficiente, pois essa opção nem sempre impede que o componente vulnerável continue processando as mensagens recebidas.

    A recomendação é verificar se existe uma atualização de firmware específica para o modelo do roteador. Quando o equipamento é fornecido por uma operadora, o usuário deve solicitar informações sobre a versão instalada e confirmar se o software vulnerável foi removido ou corrigido.

    Se não houver atualização disponível para um equipamento afetado, especialmente nos modelos antigos sem possibilidade de migração, a substituição do roteador pode ser necessária.

    O que os usuários devem fazer

    Para reduzir os riscos, proprietários de roteadores devem:

    • Verificar atualizações: consultar o site do fabricante ou a operadora para identificar novas versões do firmware.
    • Confirmar a correção: não presumir que o dispositivo está protegido apenas porque a Broadcom anunciou uma solução em 2018.
    • Não confiar apenas na troca da senha: essa medida não impede a exploração descrita.
    • Consultar o suporte técnico: perguntar se o firmware ainda utiliza o WPS Monitor legado e se o problema foi corrigido.
    • Substituir equipamentos sem suporte: considerar a troca caso não exista uma atualização que elimine a vulnerabilidade.

    A falha WPSplinter evidencia um problema recorrente na segurança de dispositivos conectados: corrigir um componente na origem não garante que a solução chegue aos produtos em uso. Enquanto fabricantes e operadoras não atualizarem os equipamentos afetados, roteadores antigos podem continuar expostos a ataques realizados por pessoas dentro do alcance do sinal Wi-Fi.

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    Kayobrussy Guedes
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